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Uma maneira diferente e particular de observar o mundo

Flávio Oliveira estreia na literatura com “Pequenas Histórias de Luz e Som“. O escritor, que é cego, leva o leitor a experimentar um novo olhar por meio dos seus textos sobre cenas cotidianas, passagens da infância e paisagens. 

Flávio Oliveira reuniu 48 textos que mostram uma maneira diferente de observar o mundo. São pequenas narrativas de auto-ficção concebidas por meio da sua memória, experiência e imaginação. Formado em História, mestre e doutor em Educação pela UFMG, atualmente, Flávio é professor da rede municipal de Belo Horizonte e um ativista atuante dos direitos humanos de pessoas com deficiência. E tem mais. Flávio é músico amador e praticante de corrida de rua. E claro, um leitor dedicado.

A escritora e professora de Teoria da Literatura e Literatura Comparada da Faculdade de Letras da UFMG Maria Esther Maciel assina o texto de orelha. “Valendo-se de uma linguagem ora feita de sutilezas, ora modulada pela dicção coloquial ou por um tom reflexivo, o autor extrai “Pequenas Histórias de Luz e Som” reúne crônicas do cotidiano do autor e ativista Flávio Oliveira, deficiente visual

de suas vivências a principal matéria-prima para as histórias, sempre atento ao que se passa ao redor e ao que permanece do passado como lembrança”, escreve.

O último texto de “Pequenas Histórias de Luz e Som” configura-se como uma verdadeira lição de braille (sistema de escrita tátil utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão). Ao longo das páginas, são descritas várias cenas voltadas para a experiência da perda da visão do narrador, reminiscências, imagens e pensamentos. 

Sobre o autor

Flávio Couto e Silva de Oliveira tem 54 anos e nasceu em Vacaria (Rio Grande do Sul), mas há 50 anos vive em Belo Horizonte. Sua incursão pela literatura lhe rendeu, em 2000, o primeiro lugar na categoria ensaio do concurso nacional de literatura Cidade de Belo Horizonte, com o trabalho, “Signos e Aprendizagem nas Memórias de Músicos Cegos”. 

Em sua tese de doutorado, Flávio estudou os efeitos da educação musical escolar por meio do canto coletivo em escolas primárias, durante as décadas de 1920 e 1930. Possui artigos e capítulos de livros sobre educação musical, aprimoramento dos sentidos e cidadania, publicados no Brasil e no exterior. 


Fernando Armando Ribeiro na Quixote-Do:

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Quando o Direito e a literatura dialogam

A novela “A Fascinação das Asas“, Fernando Armando Ribeiro, fala da importância da leitura literária e os riscos de seu abandono. Ao acompanhar a trajetória do protagonista, Aurélio, o autor constrói uma metáfora dos nossos tempos. Num país fictício, uma revolução põe no comando pessoas que não se importam com a cultura e a liberdade e Aurélio, um homem idealista com uma visão quase lírica do mundo termina tornando-se refém tanto de guerrilheiros quanto do Estado. No cárcere, toma contato com o mundo dos livros, descobrindo novas perspectivas sobre o amor, a liberdade e as asas.

O livro foi escrito por Ribeiro a partir de oficinas literárias realizadas na Academia Mineira de Letras – AML e conduzidas pelo professor e escritor premiado Luiz Antônio de Assis Brasil. “Tenho uma relação visceral com a literatura. Os livros são para mim indispensáveis, fundamentais para minha existência”, diz o autor, que até então colecionava uma produção literária constituída de poemas e contos. “A escrita tem evidentemente o seu espaço, mas vejo-a muito mais como uma consequência da atividade de leitura”, afirma Ribeiro.

Sobre “A Fascinação das Asas”, o professor Luiz Antônio de Assis Brasil diz que o autor maneja um estilo que privilegia ágeis cenas em sequência e constrói uma novela que exige atenção do leitor inteligente, capaz de fazer ilações e aproximações. “O autor conseguiu captar de modo admirável o que acontece não apenas com o protagonista, mas como metáfora de nosso país atual, com o mundo”, escreve o professor.

Diálogo entre o Direito e a literatura

O autor de “A Fascinação das Asas” coordena o programa “Direito e Literatura”, uma parceria da Academia Mineira de Letras com o Instituto dos Advogados de Minas Gerais. A iniciativa busca estreitar o diálogo entre direito e literatura, a partir de conferências que mostram como esses dois campos do saber se relacionam. Ao todo, serão cinco sessões, sempre às quintas-feiras, iniciadas em abril, e nos meses de maio, junho, agosto e setembro.

Sobre o autor

Fernando Armando Ribeiro é mineiro de Belo Horizonte. Por influência de seu pai, sempre foi fascinado por literatura e sua trajetória passa pelas letras jurídicas e filosóficas. Professor da PUC Minas, curso de Direito, é doutor em Filosofia do Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG e fez o Pós-doutorado na University of California, Berkeley (EUA). É autor, dentre outros livros de, “Colheita” (poesia, editora Letramento, 2017); “Constitucionalismo e teoria do direito” (editora Del Rey, 2013); “Conflitos no Estado constitucional democrático” (editora Del Rey, 2004);e organizador de “Espectros poéticos da justiça” (editora Del Rey, 2019).


Fernando Armando Ribeiro na Quixote-Do:

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“Flor de Lis” revela a habilidade da autora de Juiz de Fora em contar histórias  

A Quixote+Do Editoras Associadas apresenta a escritora Marina Piva. “Flor de Lis”, é o primeiro livro publicado da jovem autora mineira, criadora da “Tanto livro pra ler”, página no Instagram, na qual escreve resenhas, faz críticas e indica títulos e mantém seguidores apaixonados por literatura.

Em uma trama cheia de desdobramentos, Marina Piva convida o leitor a participar de uma aventura com muitas curiosidades. “Flor de Lis” provoca algumas perguntas: as pessoas mudam? O ser humano é capaz de se redimir? Na história, duas realidades absolutamente distintas, com verdades e paixões diferentes, se cruzam pela força do acaso. Flor de Lis é a cidade que testemunhou a mentira chegar e virar verdade. Pra quem quer acreditar, claro. E você, acredita?

“Flor de Lis surgiu prontinho em minha cabeça”, conta Marina. A inspiração veio depois um episódio cotidiano, que a deixou de repouso forçado. Contudo, o livro demorou três anos para ficar pronto. “Apesar de saber a história desde o início, relutei para escrevê-la”, confessa a autora, que já tinha escrito outros quatro livros. Mas “Flor de Lis” foi o primeiro que ela decidiu publicar. “Sempre escrevi, seja na forma de diários, crônicas, contos, desabafos, romances”, diz ela, que já está trabalhando em um novo romance.

A história

Flor de Lis é uma cidade fictícia do interior, num país não definido, que testemunhou a mentira chegar e virar verdade. “O público de `Flor de Lis` são as pessoas que buscam uma história leve, para entreter”, afirma Marina. A personagem Leopoldo Albuquerque é  um homem poderoso, rico e influente, que foi flagrado e exposto em rede nacional, revelando preconceitos e rancores do passado. Paralelamente, Theodora, uma garota do interior, se encontra presa em uma realidade convencional que provoca angústia. Não há saída, o futuro está traçado.

A autora

Marina, mineira de nascimento e de coração, traz com ela todos os sonhos do mundo. Na incansável busca pela leveza, caminha entre a formalidade da advocacia e o caos de uma mente hiperativa que transborda. Aprendeu cedo que sua alma fala por meio das letras, mesmo quando a voz prefere calar. Escolhe sempre pelo doce, seja nas palavras, seja no paladar. Apaixonada por brigadeiro de panela, dias de céu azul e livros, acredita no poder da gentileza e na força do amor.

Aos 27 anos, morando em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, Marina Piva nasceu e foi criada em Ubá. Formada em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora,  ela trabalha como advogada e sempre foi uma leitora voraz. “Amo literatura desde que aprendi a ler!”, atesta,

Marina cresceu lendo Jane Austen, Agatha Christie e  J.K. Rowling, dentre outros escritores estrangeiros célebres. Mas os destaques na sua estante são os brasileiros, como Rubem Fonseca, Érico Veríssimo, Luis Fernando Veríssimo, Nelson Motta, Fernando Sabino e Luiz Guilherme Piva.

A paixão pela literatura levou Marina a criar uma página no Instagram dedicada aos livros. A conta @tantolivropraler aborda tudo o que ela lê. “É sobre as histórias que me marcam, sobre pontos de reflexão trazidos pela experiência das leituras e do uso das redes sociais”, conta a autora. “E aprendo muito com quem interage comigo. O Tanto Livro é uma troca muito rica de ideias, lugar onde fiz amizades e me divirto bastante”, assegura.

Marina Piva na Quixote-Do:

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Todas as cores estão acordadas e batem palmas em “De cor”, da multiartista Lelena Lucas

De cor“, de Lelena Lucas traz a poesia da autora e multiartista mineira, que também criou todas as ilustrações desta obra surpreendente e tão expressiva.

Lelena conta que “De cor” fala de muitas coisas e tem as cores como fio condutor. “O livro foi escrito e concebido a partir de um dos dez subtítulos, Impressões em Vermelho. Esse subtítulo foi sendo composto, no princípio, sem intenção de ser desenvolvido para um livro”, revela a autora. “Mas foi a partir dele que a ideia tomou forma. E criei os textos e as ilustrações paralelamente”, diz.

“De cor revela motivos para alargar horizontes, fundir achados surpreendentes, traduzir o intraduzível, descomplicando a cosmovisão do achamento do Eu, do Outro, de todos. Um prodígio”, assim define um dos mais reconhecidos críticos literários do Brasil, Fábio Lucas, que também é pai de Lelena e um observador atento e severo da literatura. Ele escreve ainda: “De cor sem acento circunflexo. A ambiguidade integra o núcleo poético, não obstante a obra como uma unidade significante. Trata-se de uma peça lírica compacta, talvez a requisitar uma contemplação circular. Um só ponto convergente. Peça super cintilante. Todas as cores estão acordadas e batem palmas. Orgulho-me e fico feliz uma eternidade”.

Apesar da literatura estar no DNA de Lelena – além de filha de Fábio Lucas, sua mãe, Maria Luiza Ramos, foi professora emérita da área de Teoria da Literatura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – Lelena também é artista plástica e sua formação é na dança: ela é bailarina, coreógrafa e coordenadora da Corpo Escola de Dança (Grupo Corpo).

Todas essas influências estão presentes de uma maneira ou de outra na obra escrita de Lelena. Em “De cor”, os poemas tomaram cada cor como referência de sentimentos e observações. Assim, foi estruturada uma sequência baseada no arco-íris. “Nessa viagem pelas cores, eu falo de assuntos bem diversos. Mesmo as imagens cotidianas sugerem intensidades e convidam o leitor a derivações”, diz ela. E explica que nas “extremidades” da ideia das cores conclui-se o livro. “Não é um livro de poemas aleatórios apesar de cada um ter seu próprio sentido”.

O projeto gráfico foi feito em parceria com a designer Ana Bahia. As ilustrações foram feitas digitalmente – aquarelas e traços digitais. Lelena afirma que o trabalho com Ana Bahia foi fundamental para chegar numa composição final que não perdesse a ideia original. “Ela acrescentou muito com sensibilidade e técnica”, reconhece.

Lelena Lucas na Quixote-Do:

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O caleidoscópio de uma vida: de que é feita a memória? Lino de Albergaria revela em “O homem delicado”

O Homem Delicado” é o quinto romance de Lino de Albergaria, autor mineiro que coleciona dezenas de reedições de suas obras e alguns prêmios, que assinalam seu reconhecimento na literatura. Há mais de 30 anos, Lino de Albergaria vem publicando livros para o público juvenil, segmento por onde se iniciou como autor. Vem também, sobretudo nos últimos anos, escrevendo romances.

Como a personagem Isabel bem denomina, “O homem delicado” é uma “narrativa volátil”, além de constituída em pares. Com essa natureza, fica o convite ao leitor para recriá-la, compondo com o narrador Lauro outros pares, novos relatos, afirma o professor de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Luiz Gonzaga Morando Queiroz.

“A ideia me veio a partir de relato de experiências de pessoas que estiveram próximas da morte e afirmam ter passado por uma experiência em que voltaram à sua consciência cenas importantes de seu passado”, conta Albergaria sobre o enredo do livro. “Criei um personagem que decide antecipar esse momento, escrevendo num tom autobiográfico, sempre a partir de imagens, as cenas que sua memória ainda retém”, explica o autor.

Albergaria conta que para compor o romance, parte da ideia geral. “Escrevo sem me policiar e deixo a narrativa se construir quase que por si mesma. Mas, depois, vou revisando, consertando, reescrevendo. Essa é a parte mais demorada da escrita”, diz ele.

Em “O homem delicado”, os capítulos, em ordem aleatória, vão compondo, nas palavras da escritora Ana Cecília Carvalho, um mosaico de imagens que se concatenam num encaixe semelhante à montagem de um quebra-cabeças. Lauro, o narrador, tem um irmão gêmeo (Bruno), não idêntico, do qual vai se distanciando na construção de sua identidade. Sente-se sutilmente influenciado pelo pai, Francisco, mas é a filha, Isabel, que o confronta, representando as mudanças do mundo, a chegada de outra época.

“Ela, Isabel, sente que não pode ter a delicadeza que o pai expressa, moldada pelas ideias e acontecimentos de sua geração, marcada pela paz, a empatia, a comiseração, presentes nos livros, na música,nos pensamentos filosóficos e numa influência mística que o atraem. Os valores da delicadeza se dissipam no mundo atual”, adianta o escritor sobre a história de “O homem delicado”.

A escritora Ana Cecília Carvalho escreveu a orelha de “O homem delicado”: “De que é feita a memória? Quando a retomamos, será possível distinguir entre a realidade dos fatos e a reconstrução de sentido que fazemos a posteriori? Para responder esta indagação, pano de fundo de O homem delicado, Lino de Albergaria constrói a retomada de uma vida, apresentada pela voz do personagem Lauro. Em sua retrospectiva, a narrativa autobiográfica se estrutura como as cenas de um filme no qual passado e presente ora se alternam, oa se justapõem, como também se movimenta como um quebra-cabeças, um caleidoscópio, as cartas do Tarô ou o álbum de figurinhas da sua infância (…) Tal como um leque, cujo desenho nele impresso somente se mostrará inteiro quando ele for aberto, o enigma do homem delicado só se revelará quando esse livro impressionante for aberto e apreciado capítulo por capítulo”.

A trajetória do autor


“Desde cedo, fui fascinado pela leitura. Estudei Letras pelo interesse pela literatura. Fiz pós-graduação em Editoração, em Paris, para participar, de dentro, do mundo dos livros. Lá, por acaso, fazendo estágios, descobri a literatura para crianças”, conta o mineiro Albergaria.

Lino de Albergaria na Quixote-Do:

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“Poesias Dançantes”: um livro para ser lido com olhos, mãos, corpo, alma e coração

 

“Vou dançar palavras escritas. Coreografá-las com a pena. Caligrafá-las com o corpo. Não danço palavras faladas porque não quero levantar suspeitas. Agora só levanto voo”. Este é um dos poemas de Paula Davis, bailarina que agora expressa sua sensibilidade de artista também na poesia. Seu trabalho literário foi reunido pela Quixote+Do em “Poesias Dançantes“.

“Agrupei alguns escritos de memórias dançantes que eu tinha e percebi que eles estavam em movimento pulsante dentro de mim”, conta Paula Davis. “Perceber essas memórias ativas me impulsionou a escrever mais. Foi um processo natural, uma experiência fluida, realmente física”, diz. No pré-lançamento, o trabalho da autora ganhou a parceria de integrantes Movasse que trabalharam com a autora no Grupo de Dança Primeiro Ato. A colaboração e criação em grupo são marcas do Movasse e o convite para participar do lançamento do livro “Poesias Dançantes”, no Terça da Dança, abriu possibilidades para criar um novo ambiente de poesia para a “PlaylistA”.

A ideia era propor um espaço cênico híbrido, onde a dança contaminada por trechos do livro da autora, inspirassem a construção das cenas do espetáculo. Na composição do Coletivo Movasse, as bailarinas se propuseram a revisitar a obra, estabelecendo novas regras, novos temas e novas músicas para nortearem a ação. Juntas, as artistas desenvolveram novas formas de se encontrar em cena com o uso da técnica de improvisação em dança contemporânea.

O trabalho do grupo complementou a palavra escrita de Paula Davis. Dedicada à dança desde criança, “Poesias Dançantes” é o registro do que já foi “dito e sentido pelo corpo” e que, agora, ganha o suporte da palavra escrita. “Poesias Dançantes” é uma obra literária que contém mais que palavras em forma de poemas; é movimento que ganha novo suporte. “Um livro para ser lido com olhos, mãos, corpo, alma e coração”, aconselha a autora.

“Assim como dança, escreve. Seu livro dança. Sua palavra tem movimento. Surpreende. Nada previsível, assim como sua dança. Divertido, amoroso, inteligente, irônico e essencialmente humano”, escreve a bailarina e fundadora do Grupo de Dança Primeiro Ato. Suely avisa que “Poesias Dançantes” é um convite: “dancem, dancem, dancem com as histórias, as palavras e a vida desta artista que declarou sabiamente: nem sei onde estive. Mas sei que fui”.

Neste trabalho de espirito essencialmente feminino, estas mulheres revisitaram suas demandas internas, suas questões íntimas e um pouco do mundo que as inspira.

Sobre a autora

Paula Davis nasceu em Belo Horizonte e atuou profissionalmente nas companhias mineiras Compasso Cia. de Dança e Grupo de Dança Primeiro Ato. Também foi co-fundadora do Coletivo Catavento Dança & Pesquisa. Ela é autora do livro infantil “Alfabeto com Poesia” e empreendedora na Bailaletra Projetos em Papéis e professora na Compasso Academia de Dança.

Paula Davis na Quixote-Do:

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O décimo livro do jornalista e escritor Maurício Lara descreve com leveza a vida na superfície singela de um Brasil profundo

Mauricio Lara

 

Réstia de Alho” é o décimo livro do jornalista e escritor Maurício Lara. Responsável por assinar a orelha da publicação, Carlos Herculano Lopes, escritor e também jornalista, destaca a fina sensibilidade de ficcionista e repórter experimentado de Lara para compor este romance. O próprio autor explica: “Talvez possa ser dito que valho-me da experiência de repórter e das vivências para criar as histórias do romance”.

Em “Réstia de Alho”, um pequeno fazendeiro, Joca Ferrão, homem rude, tem dois postos de observação em sua vida. Na janela da sala da casa simples, de onde ele vê o curral, o pasto, vacas. Lá, ele vê seu mundo externo. Dentro da casa, o que restou da família, depois que a maioria dos filhos foi viver a própria vida: a mulher, uma filha solteira com um filho aleijado, cujo pai ninguém conhece, e que trota de quatro pela casa e pela fazenda. No porão, com cheiro do alho que ele colhe e armazena no paiol, tem um saxofone, comprado clandestinamente de um caixeiro-viajante, que Joca Ferrão sopra sem conseguir tirar nenhum acorde. O porão é seu mundo interno, ou subterrâneo, onde estão suas dívidas, desejos, fantasias, dores e perguntas. “É fascinante para o autor esse mergulho no porão de um personagem rude, que tenta entender sua vida pelos poros, muito mais do que pela reflexão”, diz Lara.

Trata-se de um romance que descreve com leveza a vida na superfície singela de um Brasil profundo, enfiado no século XX, enquanto mergulha nas profundezas de almas aparentemente rasas, mas complexas e indecifráveis. Na casa, no porão, no bananal, no tanque, na janela, na escada, no curral, na roça de arroz e alho a vida transcorre com mais perguntas do que respostas. “E gosto quando o livro tem um final forte. E Réstia de Alho tem. Eu considero meu romance O Porco um livro com uma história forte. Réstia de Alho também é assim. Só o leitor poderá dizer qual é mais forte, mais surpreendente”, diz Lara.

 

O autor e a literatura

 

O jornalista conta que a literatura sempre o “perseguiu”.  Mas ela entrou pra valer na minha vida já depois dos 50 anos, quando eu me encorajei a colocar para fora o que sentia e pensava”, diz. Antes disso, Maurício já tinha publicado quatro livros, sendo um deles, um romance. “Mas deslanchei mesmo mais tarde. De lá para cá, a produção foi aumentando”, conta. A partir de 2015, lançou seis romances, incluindo o próprio “Réstia de Alho”.

Maurício Lara diz que seu processo de criação é quase anárquico. “Costumam me perguntar quanto tempo eu gastei para escrever um livro. Posso dar a resposta em dias, em meses ou em anos. Mas prefiro dizer que demorei 66 anos, que é minha idade atual”, diz. “Ou seja, cada livro é resultado de minhas vivências, ainda que ele seja escrito rapidamente”, afirma o autor, que revela influências diversas. De Jack London a João Guimarães Rosa – especificamente o “Grande Sertão:Veredas” – passando por Érico Veríssimo, Fernando Sabino, José Saramago, Kafka…

 

 

Maurício Lara na Editora Quixote-Do:

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“A Natureza da Mordida” consolida Carla Madeira como uma artista da palavra

A realidade nos escapa
como um peixe que arrancamos da água com as mãos,
enquanto os agarramos a ela como náufragos.

A força narrativa, cheia de ritmo e precisão de Carla Madeira ressurge em “A Natureza Mordida”, seu segundo romance, lançado pela Quixote+Do Editoras Associadas. A autora se firma como uma excelente contadora de histórias. E vai além. A autora – revelada brilhantemente em “Tudo é Rio” – se reafirma como uma artista da palavra, que trabalha a linguagem como o fazem os poetas – como prenunciou o professor de literatura brasileira Antônio Sérgio Bueno. Quando menos esperar, o leitor estará fisgado e enredado por uma história que irremediavelmente o morderá.

Carla Madeira revela que “A Natureza da Mordida” foi um “desafio
diferente como autora”. Em seu primeiro romance,”Tudo é Rio”, o narrador é onisciente, tem conhecimento de tudo, conhece a fundo cada personagem. Já “A Natureza da Mordida” é uma história contada pelos personagens. “Como autora, isso foi extremamente desafiador. Foi mais difícil não saber tudo, ter só o que o personagem era capaz de dizer”, conta Carla. “É um livro sobre o abandono. Sobre a condição humana, sobre as mordidas da vida que não controlamos”.

Nos 12 primeiros encontros das personagens Biá e Olívia, o leitor se verá enredado por uma história cheia de lacunas. Vai experimentar, como a própria Biá, as intensidades da perda de memória, marcada ora pelos esquecimentos, ora pelas lembranças salientes. Será preciso degustar cada tesouro que emergirá dos encontros e das anotações feitas por Biá, mesmo que tomado pela angústia de não poder compreendê-los ainda.

Desta maneira, nos capítulos iniciais, o leitor vive a angústia da personagem, de conhecer as consequências de alguma coisa sem conhecer a circunstâncias. Depois, vem a história, na qual tudo emerge e o leitor vai vivendo a possibilidade da empatia. “E é assim que funciona na vida, se não olhamos para as pessoas com um pouco de escuta, nós julgamos. Se topamos conhecer a história do outro, acolhemos sua condição humana”, acredita Carla.

 

 

Carla Madeira na Mídia:

 

09/12/2014: Carla Madeira em Tudo é rio

10/12/2014: Publicitária Carla Madeira lança primeiro livro, ‘Tudo é rio’

10/06/2015: Tudo é Rio

05/01/2018: Os melhores livros de 2017, por Simone Pessoa!

25/06/2018: Carla Madeira foi a convidada do Rodas de Leitura em Caeté

06/07/2018: Rodas de Leitura leva a escritora Carla Madeira a unidade prisional de Caeté

02/08/2018: “Tudo é rio” é daqueles livros que, ao ser terminado, dá vontade de começar tudo de novo 

05/08/2018: Carla dá até raiva na gente. Como assim, um livro de estreia tão potente, tão perfeito, tão pronto? 

05/08/2018: Martha Medeiros: “Carla Madeira é a revelação literária do ano” 

07/08/2018: Carla Madeira autografa “Tudo é rio” e lê trechos de “A natureza da mordida” no C.A.S.A.

30/08/2018: Carla Madeira autografa ‘Tudo é rio’ na Livraria da Rua

30/08/2018: Carla Madeira comemora sucesso de “Tudo é Rio”

04/09/2018: Tudo é rio 

10/10/2018: Tudo é rio, de Carla Madeira. Excelente! 

12/10/2014: Lançamento do livro “Tudo é rio” (Editora Quixote)

16/11/2018: Lançamento: “A Natureza da Mordida” de Carla Madeira, da Quixote + Do, 22/11

21/11/2018: A natureza da mordida, de Carla Madeira

22/11/2018: Publicitária Carla Madeira lança o romance A natureza mordida em BH 

22/11/2018: Lançamento do livro “A natureza da mordida”, de Carla Madeira 

29/11/2018: Carla Madeira lança “A Natureza da Mordida” 

07/12/2018: Carla Madeira Lança 2º livro 

08/03/2019: Resenha nº 146 – Tudo é Rio, de Carla Madeira 

15/03/2019: Em seu segundo romance, a escritora mineira Carla Madeira faz uma ode à literatura

15/03/2019: As dores da alma

Carla Madeira na Editora Quixote-Do:

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“O foco das coisas & outras histórias”

por Luis Giffoni, escritor

Foco, ponto de convergência. Por outro lado, foco, focus, fogo. “O foco das coisas & outras histórias” é uma dessas criações que custam para ficar prontas (no papel e no efeito que provocam), cuja digestão é prazerosa à medida que nos lembramos de seus personagens e enredos. O mistério das tramas sobrenada, o incomodo da lateralidade no tempo e no espaço assoma, a imaginação se funde com a realidade. Pergunte a Bia ou Benjamin em “Enquanto isso não se revela” – ou a Pedro, em “O passado”, quando acelera rumo ao futuro. Ou a Mirna, em  “A festa dos sonhos”. Inquira a brancura de “Segunda charada: o motivo”. Se não conseguir resposta, socorra-se em “Pós-escrito”. Pois é. Talvez a dúvida resista. Ficção é isso. Um espelho quebrado onde nos dividimos em múltiplas faces, experimentamos diversos cozimentos, mergulhamos em mil e uma noites de invenções. Qual o sultão enredado por uma trama inexistente, somos aprisionados pelo texto fascinante de Ana Cecilia Carvalho. Ela acende o fogo das coisas.

“O foco das coisas & outras histórias” não é um livro de transparências, mas de nuances e de sombras. Imagens de confinamento traduzem, com inteligência e bom humor, a vida, mesmo quando se está diante de um tratado poético sobre a desesperança. Equilibrar-se no fio estreito das certezas é condição para se aproximar desses textos estranhamente belos e inquietantes. O leitor perceberá que, como na célebre lição de Graciliano Ramos, “liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a delegacia de ordem política e social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer”. Nos lugares inóspitos de cada história de “O foco das coisas & outras histórias” uma fresta de ar nos ajuda a respirar.

 

 

Ana Cecília Carvalho na Editora Quixote-Do:

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“Tudo é Rio” revela o nascimento de uma grande escritora

Ela me perguntou o quanto eu a amava. 

Reuni em vidro todos os humores vertidos:

sangue, sêmen, lágrimas.

Amo você tantos rios.

 

 

O romance de estreia da mineira Carla Madeira se tornou destaque da cena literária contemporânea.

 

“Tudo é Rio” é um belo, denso e instigante romance de amor! Trata-se de uma trama tão bem urdida, que nenhum leitor conseguirá abandonar a leitura antes do final. Assim  o ensaísta e professor de Literatura Brasileira Antônio Sérgio Bueno define o romance de estreia de Carla Madeira.

O livro lançado em 2017 pela Quixote+Do Editoras Associadas teve sua primeira edição esgotada, é campeão de vendas da editora e foi recebido pela crítica especializada como uma grata surpresa. “Tudo é Rio é uma obra prima, e não há exagero no que afirmo. É daqueles livros que, ao serem terminados, dão vontade de começar tudo de novo, no mesmo instante”, escreveu Martha Medeiros em O Globo, na Revista Ela. E diz mais: “Carla dá até raiva. Como assim um livro de estreia tão potente, tão perfeito, tão pronto?”

Com uma narrativa profundamente sensível, Carla Madeira nos convida para uma aventura corajosa pela natureza humana, em toda a sua complexidade. O romance conta, em 35 capítulos, uma história que se passa em um lugar impreciso, em um tempo indefinido, que ganha um caráter universal por lidar de maneira intensa com a complexidade humana. Amor, erotismo, dor, perdão e saudade são os sentimentos que envolvem uma prostituta, um casal e seus filhos.

“Tudo é rio” foi um transbordamento”, conta a autora Carla Madeira. “É um livro que traz uma  pergunta que eu acredito ser muito necessária: podemos perdoar o imperdoável? É um livro com questões humanas universais muito intensas: a sexualidade, o erotismo, o amor, Deus…”

Segundo a autora, o livro, inicialmente, era sobre três irmãs, que perdem a mãe quando a caçula nasce, e elas são criadas por uma outra mulher. “Avancei bastante nesta narrativa, mas ela me levou a uma segunda história, completamente secundária: o  triângulo entre a prostituta Lucy, e o casal Dalva e Venâncio”, conta Carla. A história dos três acabou se tornando o ponto central de “Tudo é Rio”.

 

 

Links de reportagens sobre Carla Madeira

 

09/12/2014: Carla Madeira em Tudo é rio

10/12/2014: Publicitária Carla Madeira lança primeiro livro, ‘Tudo é rio’

10/06/2015: Tudo é Rio

05/01/2018: Os melhores livros de 2017, por Simone Pessoa!

25/06/2018: Carla Madeira foi a convidada do Rodas de Leitura em Caeté

06/07/2018: Rodas de Leitura leva a escritora Carla Madeira a unidade prisional de Caeté

02/08/2018: “Tudo é rio” é daqueles livros que, ao ser terminado, dá vontade de começar tudo de novo 

05/08/2018: Carla dá até raiva na gente. Como assim, um livro de estreia tão potente, tão perfeito, tão pronto? 

05/08/2018: Martha Medeiros: “Carla Madeira é a revelação literária do ano” 

07/08/2018: Carla Madeira autografa “Tudo é rio” e lê trechos de “A natureza da mordida” no C.A.S.A.

30/08/2018: Carla Madeira autografa ‘Tudo é rio’ na Livraria da Rua

30/08/2018: Carla Madeira comemora sucesso de “Tudo é Rio”

04/09/2018: Tudo é rio 

10/10/2018: Tudo é rio, de Carla Madeira. Excelente! 

12/10/2014: Lançamento do livro “Tudo é rio” (Editora Quixote)

16/11/2018: Lançamento: “A Natureza da Mordida” de Carla Madeira, da Quixote + Do, 22/11

21/11/2018: A natureza da mordida, de Carla Madeira

22/11/2018: Publicitária Carla Madeira lança o romance A natureza mordida em BH 

22/11/2018: Lançamento do livro “A natureza da mordida”, de Carla Madeira 

29/11/2018: Carla Madeira lança “A Natureza da Mordida” 

07/12/2018: Carla Madeira Lança 2º livro 

08/03/2019: Resenha nº 146 – Tudo é Rio, de Carla Madeira 

15/03/2019: Em seu segundo romance, a escritora mineira Carla Madeira faz uma ode à literatura

15/03/2019: As dores da alma