:: the box ::

Paula Davis

 

Já pensei em viver numa caixa.

Mais precisamente na “The Box” criada por um grande amigo,

que tristemente não está mais entre nós.

Descansa agora os ossos num (enorme) caixão.

 

Já me imaginei inteira na caixa. 

Viva, feliz, alimentada e preservada do mundo lá fora.

 

Sonhei ser a caixa a solução para toda angústia.

Solução retangular fechada em si.

Porém circular sob a ótica do amor.

Um tipo de retroalimentação do ventre de mãe.

Unidade.

 

Com o passar do tempo me imaginei em pedaços na caixa.

Mais precisamente, mil pedaços.

Um quebra-cabeça improvável; 

não pelo encaixe, mas pelas texturas.

 

Me dispus dividida, repartida com muitos e por muitos.

Viva, feliz, alimentada e preservada de mim mesma.

 

Passei a contemplar a desintegração da unidade.

As partes como solução para aplacar toda angústia.

As partes como compaixão para os que se sentem inteiros.

E me fiz em mil emplastros-peças.

Diversidade.

Paula Davis na Quixote-Do:

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